Alunos de faculdade na Grande BH acusam colega de desviar dinheiro de ‘cerimônia do jaleco’


Alunos do segundo semestre de biomedicina de uma faculdade em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, denunciam uma colega de sala de cometer estelionato. A estudante, de 24 anos, que não será identificada nesta reportagem, teria se comprometido a organizar uma festa para os estudantes, mas desapareceu com cerca de R$ 7 mil a R$ 8 mil.

À Itatiaia, uma das vítimas contou que a turma havia decidido fazer uma “cerimônia do jaleco”, evento que comemora o início do curso e das atividades práticas. A festa estava marcada para o dia 26 de fevereiro deste ano e chegou a ser reagendada para o início de abril, mas nunca aconteceu.

Cerca de 16 alunos pagaram uma mensalidade de R$ 100 reais, por cerca de três meses, além de quantias referentes a convites extras. O dinheiro seria usado para custear o espaço, buffet e decoração do evento. Segundo uma das vítimas, a turma não desconfiou da suspeita porque ela já havia organizado com sucesso outros eventos da faculdade.

“Essa menina sempre tomava a frente das coisas. Ela já tinha levado um pessoal para dar palestra e organizado a confraternização de fim do ano. Quando ela decidiu tomar a frente da ‘cerimônia do jaleco’, confiamos porque ela sempre se mostrava muito prestativa. Ela disse que ia correr atrás de tudo e que não era para a gente se preocupar”, contou.

A vítima diz que todos os alunos faziam transferências bancárias para a suspeita via Pix. Em janeiro, com o evento se aproximando, eles começaram a questioná-la sobre a organização. Segundo a estudante, a colega sempre respondia que “estava tudo certo”.

“Em janeiro, a gente já não estava conseguindo mais fazer o Pix para a conta dela. Aí, ela mandou o CPF da irmã, mas não desconfiamos de nada. Em fevereiro, perguntamos de novo sobre como estava o andamento e ela disse que estava tranquilo, que só faltava fechar o espaço”, disse.

Suspeita pediu para festa ser adiada por problemas de saúde

No entanto, próximo da data da festa e sem dar maiores informações, a suspeita teria pedido para adiar o evento devido a um problema de saúde. A turma acreditou e reagendou a comemoração para o dia 5 de abril.

“Ela inventou que ia precisar fazer uma cirurgia de emergência na tireoide na mesma data, dia 26 de fevereiro. A gente acreditou. Falamos: ‘vamos adiar porque, coitada da menina, ela está com um problema de saúde’. Remarcamos para o dia 5 de abril e ficamos despreocupados. Mas passou fevereiro, março e começamos a cobrar ela sobre a festa”, relembra a estudante.

Ao ser questionada, a jovem disse que um vereador da cidade de Betim, também na Grande BH, havia cedido um espaço para a realização da cerimônia. Algumas alunas, já desconfiadas da suspeita, foram até o local indicado e descobriram que não havia nada agendado.

“O dono do espaço ficou desesperado porque ele não sabia quem era a menina, nem o vereador. Ele também já tinha outro evento marcado para o dia 5 de abril. Aí nosso mundo caiu. Faltava uma semana para o evento. Se não tinha espaço, então não tinha mais nada também”, conta.

‘Ela sumiu do mapa’, diz uma das vítimas

Os alunos, então, teriam começado a pedir para a colega mostrar os contratos fechados com os fornecedores da festa. Segundo a estudante, a suspeita disse que “iria desistir de organizar porque estava se sentindo pressionada”. Ela se comprometeu a ressarcir os valores até o dia 27 de abril, o que não aconteceu.

“Ela sumia do WhatsApp e a gente não conseguia ligar para ela. Ela trancou de curso, mudou de endereço e trocou de numero de celular. Ela sumiu do mapa”, diz a estudante. “Dizem que ela pegou o dinheiro para pagar um agiota que ela estava devendo”, acrescenta.

Os estudantes tentaram entrar em contato com a irmã da suspeita, que havia recebido algumas das transferências, mas ela se negou a ajudá-los. “Ela disse que não tinha nada a ver com isso e bloqueou todo mundo”, comenta a aluna.

As vítimas registraram boletins de ocorrência contra a colega de turma e o caso é investigado como estelionato. Segundo a estudante ouvida pela Itatiaia, a jovem teria outras denúncias na polícia pelo mesmo crime.

A Itatiaia tentou entrar em contato a suspeita e a irmã dela, sem sucesso. A Polícia Civil de Minas Gerais também foi procurada, mas não retornou até o momento da publicação. O espaço segue aberto.





Fonte: Itatiaia