Aumentou a pressão sobre o governo do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) por conta da crise financeira vivida por Itabira. Nessa segunda-feira (28), servidores públicos promoveram uma manifestação que lotou as galerias da Câmara Municipal itabirana contra as medidas de austeridade impostas a eles. A Prefeitura, diante de queda de arrecadação, planeja cortar o cartão-alimentação dos funcionários municipais que recebam salários acima dos R$4.517,22. O valor do benefício atual é de R$470,01.
Durante a sua manifestação, os funcionários levaram narizes de palhaço, e entoaram palavras de ordem, como “eu não abro mão, a greve continua se cortar nosso cartão”. Se o projeto de lei for aprovado, categorias como a dos professores perderão o direito ao cartão-alimentação, pois seus vencimentos são de R$4.887,00 em decorrência do piso salarial da categoria. Ainda estão previstos o aumento do valor retido para pagar o plano de saúde, que passa de 3% para 4%, e o retorno do pagamento dos salários no quinto dia útil de cada mês.
Durante a votação na segunda-feira, o vereador Elias Lima (Solidariedade) teve um estranhamento e discutiu com um servidor. A proposta acabou sendo retirada de pauta pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Carlos Henrique Silva “Carlin Sacolão” Filho (Solidariedade). Segundo ele, o projeto não tem data para ser votado, e o Legislativo terá uma reunião com o Sindicato dos Trabalhadores Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) para negociar o andamento do processo.
Contenção de despesas
O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), tem adotado medidas de austeridade e contingenciamento de gastos desde o início do ano. O município sofreu quedas de 40% na Compensação Financeira por Exploração Mineral (Cfem) e de 23% no repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Conforme o próprio prefeito, a queda orçamentária em 2025 foi de R$186 milhões em relação a 2024.
Por conta disso, a administração adotou como lema “cortar na própria carne”, com medidas que incluem o corte de 15% nos salários do prefeito, do vice-prefeito, dos secretários municipais e dos ocupantes de cargos comissionados, que também terão sua quantidade diminuída em 15%. No entanto, a aprovação de um cartão-alimentação para os vereadores causou muitas queixas por parte da sociedade.
Bate-boca
A discussão do projeto de lei que corta em 15% os salários dos cargos eletivos e comissionados no Executivo de Itabira terminou em bate-boca e baixaria. O vereador Luiz Carlos de Souza (MDB) apresentou uma emenda que amplia para até 25,3% o corte nos vencimentos do prefeito, do vice e dos secretários, mas poupando os comissionados, em virtude dos recentes reajustes nos salários da classe política itabirana.
Sem citar nomes, Bernardo Rosa (PSB) criticou aqueles que votam contra benefícios, mas usufruem deles, e apontou para a irregularidade da emenda, porque ela seria uma interferência de um poder em outro. Luiz Carlos carregou contra o socialista, classificando-o como “traíra” e “covarde”, e acusando-o de havê-lo instigado a denunciar a irregularidade. Rosa, por sua vez, pediu a ação do Conselho de Ética da Câmara Municipal para punir Luiz Carlos pelas afirmações.
(Com informações Diário de Itabira e DeFato).
Fonte: A Notícia


