Antártica funciona como reservatório de carbono e pode ajudar a reduzir efeito estufa, diz pesquisa da UFV


Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) descobriram que a Antártica funciona como uma espécie de reservatório de carbono, o que pode ajudar a reduzir o efeito estufa, principal causa do aquecimento global. O estudo foi publicado em fevereiro na revista científica Nature, uma das mais respeitadas do mundo.

Há mais de 20 anos, os pesquisadores do Departamento de Solos da UFV participam do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), instalando 33 pontos de monitoramento da temperatura e umidade do solo no continente.

Através dos dados, os cientistas conseguiram mapear e quantificar de maneira detalhada os estoques de carbono orgânico em duas regiões distintas climaticamente da Antártica. O grupo ainda analisou a dinâmica desses estoques em diferentes profundidades, que vão de 0 a 30 centímetros.

Os pesquisadores descobriram que, enquanto o degelo causado pelas mudanças climáticas faz com que o Ártico emita mais carbono, do outro lado do planeta, a Antártica apresenta uma enorme capacidade de captura e armazenamento do elemento.

“No Ártico, os solos guardam um imenso estoque de carbono orgânico e também de metano congelado. Só que lá, ao contrário da Antártica, o recuo das geleiras está promovendo um processo de perda e emissão ativas de gases causadores do efeito estufa. Já na Antártica, os teores de carbono nos solos são muito baixos, e a vegetação que vai crescendo e ocupando as novas áreas livres de gelo, geradas pelo aquecimento, aumentam o potencial de sequestro de carbono nos solos”, diz o professor Carlos Schaefer, um dos autores do trabalho.

O professor Márcio Francelino, orientador da pesquisa, explica que, à medida que as mudanças climáticas se intensifiquem, as áreas sem gelo da Antártica funcionarão como um “sumidouro de carbono”, já que elas terão a tendência de aumentar o estoque do elemento no solo.

“A Antártica será o palco de intenso processo de captura de carbono em meio terrestre, pela cobertura vegetal em expansão após o recuo das geleiras e exposição dos solos”, afirmou o professor.

Apesar da capacidade de capturar carbono da Antártica parecer promissora no combate ao aquecimento global, os cientistas afirmam que parece não haver um equilíbrio entre os polos, uma vez que o Ártico libera mais carbono do que a Antártica consegue absorver. Mesmo assim, o continente antártico não deixa de ter um papel na mitigação de emissões de carbono no planeta.





Fonte: Itatiaia