A chegada do outono, o tempo seco e a queda de temperatura acendem alerta para doenças respiratórias, principalmente entre as crianças. Para lidar com o aumento na demanda, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) abriu 10 novos leitos pediátricos no Hospital Odilon Berens, no bairro São Cristovão, na região Noroeste da capital mineira, a partir desta sexta-feira (25).
A medida faz parte de uma estratégia da Secretaria Municipal de Saúde para o período, que é conhecido pela alta na incidência de doenças respiratórias. Para se ter uma ideia, apenas nos primeiros 25 dias de abril, a procura por atendimento na unidade está 40% maior do que em março.
O reforço eleva para 146 o número total de leitos dedicados à área pediátrica e neonatal no hospital.
O Hospital Odilon Berens é considerado referência para o atendimento pediátrico em Belo Horizonte. A superintendente do hospital, Taciana Malheiros, esclarece que a administração municipal monitora os indicadores em relação às doenças respiratórias, principalmente na infância, durante esse período de outono-inverno, e observou a alta nos casos.
Segundo Taciana, a unidade pode ganhar ainda mais leitos, conforme a necessidade da população no período. “Esses 10 leitos poderão ser ampliados para mais 20 leitos considerados gerando a necessidade da população e o monitoramento dos indicadores pela Secretaria Municipal de Saúde. Para garantir a ampliação desses leitos, foram feitos contratos de para profissionais que atenderão nesses leitos durante esse período que a gente denomina de sazonalidade respiratória para a pediatria”, afirma a superintendente do Hospital Odilon Berens.
O aumento da circulação dos vírus, as mudanças bruscas de temperatura e a maior permanência em ambientes fechados são apontados pelo gerente da linha de cuidado da criança do Hospital Odilon Berens, Pedro Bretas, como os fatores que propiciam o aumento da incidência de doenças resporatórias durante o outono e inverno.
“Durante esse período, a gente tem um aumento da circulação dos vírus respiratórios, principalmente influenza, rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR), que é o principal causador da bronquiolite. Além disso, as mudanças bruscas de temperatura, mantém os ambientes mais fechados, o que propiciam o aumento dessa circulação, sobretudo com entre as crianças”, informa Pedro Bretas.
Baixo índice de vacinação preocupa
Em meio a campanha de vacinação contra a gripe, que começou no dia 31 de março, a Prefeitura de Belo Horizonte convocou pais e responsáveis para levarem as crianças para imunização. De acordo com a administração municipal, o indice de vacinação segue abaixo do ideal, apesar da campanha.
O grupo convocado para se vacinar é formado por cerca de 155 mil crianças. No entanto, até o momento, cerca de 10 mil crianças se vacinaram. O número representa a 6,4% de cobertura. A vacinação é a principal forma de evitar que a gripe evolua para um quadro mais grave. É o que defende Pedro Bretas, gerente da linha de cuidado da criança do Hospital Odilon Berens.
“Infelizmente, pela desinformação da pandemia, a gente ficou com uma herança ruim com relação as taxas de vacinação, como um todo, e isso tem prejudicado muito as nossas crianças, não só no Brasil, como no mundo todo. A gente tem essas taxas bem abaixo do ideal”, detalha Pedro Bretas.
“Nessa época, a gente tem a vacinação da influenza, por exemplo, que é um vírus que pode evoluir de forma grave, principalmente nos grupos de risco. Então, vacinar, no tempo oportuno e manter o calendário atualizado é de suma importância para evitar que os casos evoluam para casos graves”, finaliza o gerente da linha de cuidado da criança do Hospital Odilon Berens.
Fonte: Itatiaia


