Um homem com deficiência ocultas (condições físicas, mentais ou neurológicas que não são imediatamente visíveis) denuncia ter sido agredida por seguranças ao tentar embarcar em um ônibus na estação do MOVE Metropolitana, na avenida Antônio Carlos, em frente à escola SENAI, no bairro Lagoinha, na região Noroeste de Belo Horizonte, na tarde de quinta-feira (22).
Caio Adriano Guerra de Souza, 37 anos, contou que tem diagnóstico de Esclerose Múltipla, Neuralgia do Trigêmeo, TDAH e Síndrome de Horner — todas condições respaldadas por laudos médicos —, voltava de um tratamento no Hospital das Clínicas e seguiria para Vespasiano (Grande BH). Ele tentou embarcar utilizando seu cartão de trabalho, que estava sem saldo. Ao perceber o problema, se dirigiu ao interfone da cabine para solicitar a liberação do acesso, apresentando o laudo médico que garante, por lei, a gratuidade, mesmo sem o cartão do Passe Livre.
No entanto, o pedido foi negado. Segundo ele, o problema com a emissão do cartão foi causado por falhas no sistema do INSS, o que impediu o andamento do processo para emissão do benefício. “Meu cartão estava sem saldo, então fui ao interfone explicar minha situação. Tenho laudos médicos que garantem meu direito ao passe livre, mas como o sistema do INSS estava fora do ar, não consegui concluir o cadastro. Mesmo assim, não me permitiram entrar”, relatou.
A situação teria se agravado quando, após ver a liberação da catraca para uma senhora, ele tentou embarcar junto. “Eu só queria voltar para casa. Estava sob efeito de medicamentos, exausto, tonto, sem me alimentar o dia inteiro. Quando tentei passar, fui agredido por dois seguranças. Um me enforcou e outro me puxou com muita violência”, disse.
De acordo com Caio, após o episódio, a atendente chegou a liberar sua entrada, mas a decisão foi revertida. Ele afirmou ainda que os funcionários disseram que seu laudo “não tem validade” e minimizaram sua condição: “Um deles me disse: ‘deficiência oculta não existe, deficiência tem que ser visível’. Eu estava com o cordão de girassol — símbolo internacional de deficiências não aparentes — e ainda assim fui desrespeitado”, contou.
Caio gravou parte do ocorrido em vídeo, o que, segundo ele, teria motivado ameaças dos seguranças. “Eles me mandaram não postar nada nas redes sociais.”
Sem alternativa, Fabiano precisou pagar a passagem. Ele fez um Pix no valor de R$ 8,20 a uma das testemunhas que estavam no local, que usou seu próprio cartão para ajudá-lo a embarcar.
A reportagem encontrou em contato com o governo de Minas e e com a PM aguarda retorno.
Fonte: Itatiaia


