O que parecia acolhimento virou dor. Uma mãe, que terá a identidade preservada, recebeu o filho de volta em casa, mas o reencontro não foi como o esperado e virou caso de polícia. Poucos dias depois do retorno, o jovem passou a coagir a mãe, a obrigou a assinar uma procuração e começou a
lesar financeiramente a idosa
O advogado criminalista Paulo Crosara, do escritório Oliveira Filhos, responsável por atender a vítima, disse à Itatiaia que a violência começou de forma silenciosa.“É um filho que era problemático com o envolvimento de droga, que voltou para casa da mãe, morou muito tempo fora e depois que voltou cortou o acesso dela às contas, pediu para ela assinar uma procuração, colocou uma pressão para ela assinar, ficava com os cartões, pegou empréstimos em nome dela”, disse.
Ainda segundo o advogado criminalista, a pensão da idosa quase não existia mais, em razão dos empréstimos consignados. “Ela estava devendo muito e descobriu depois. (…) Ele não deixava ela sair de casa, só com a autorização dele”, detalha Paulo Crosara.
Essa é apenas uma entre milhares de histórias. Só no primeiro semestre de 2024, a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos registrou mais de
90 mil denúncias de violência contra idosos
Na maioria dos casos, os crimes financeiros contra idosos partem justamente de quem eles mais confiam. Como destaca o advogado criminalista do escritório Calazans Advocacia Especializada, Thiago Calazans. “É o que mais ocorre. Muita das vezes com um abuso de confiança que seja no seu âmbito familiar e que seja também nessas questões bancárias.”
“Algumas instituições aproveitam da vulnerabilidade daquela pessoa e acabam cometendo crimes vendendo uma história que vai ser melhor, sempre vendendo uma oportunidade que não existe e acaba incorrendo nesses casos que muitas das vezes a gente não tem nenhum controle”, completa.
Um dos maiores exemplos recentes de golpes contra idosos envolve o INSS. A Polícia Federal investiga associações que descontaram valores de beneficiários sem autorização com assinaturas falsas e cadastros fraudulentos. Esse foi o caso do senhor Walter Barreto, de 69 anos. “Vou receber pagamento de R$ 1518, eu recebo nem R$ 300 por mês. Aí eu não sei se é o banco que está me roubando ou se é o INSS”, desabafa.
Outro idoso que também sofreu com descontos indevidos foi o senhor Nivaldo Turibe, de 66 anos. Além de lesar o bolso, a ação criminosa deixou marcas profundas na alma, o que levou o senhor ao choro durante uma entrevista à Itatiaia.
Em relação aos descontos conhecidos de beneficiários do INSS por parte de associações, a diretora executiva do Instituto Defesa Coletiva, Helen Prates, explica como deve ser o passo a passo para denunciar. “Pode contestar, entrar no meu INSS, dizendo que não reconhece. Os Correios estão recebendo os idosos para contestar também e o instituto pode ajudar com o horário marcado, entrar em contato para a gente ver se houve aí uma retenção indevida, um desconto indevido por parte das associações”, detalha.
Em meio a tantos tipos de golpes contra idosos, Belo Horizonte pode ganhar uma nova lei que já está em debate na Câmara Municipal. A proposta quer criar campanhas educativas para alertar os idosos sobre os riscos. O autor do projeto, vereador Arruda do Republicanos, conta que a ideia surgiu quando ele atuava em uma instituição. “Nessa instituição nós implantamos a prevenção contra as fraudes aos idosos. Isso impediu com que os nossos idosos caíssem nessa”, reforça.
Esse é o segundo episódio da série da Itatiaia que aborda a violência contra os idosos. Amanhã, no terceiro episódio da série, será a vez de falar sobre a violência silenciosa. Com casos em que os próprios familiares proíbem os pais de sequer colocarem o pé fora de casa.
Fonte: Itatiaia


