Uma iniciativa da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), orienta crianças a reconhecerem situações de abuso sexual através de palestras ministradas em escolas. A partir da solicitação de diretores ou professores das instituições de ensino, policiais da DEPCA são mobilizados para comparecer às escolas e, através das palestras, conscientizar os alunos, contribuindo para romper com os ciclos de violência.
A delegada Thais Degani é a responsável pela equipe que realiza esse trabalho de conscientização junto aos estudantes de escolas públicas e privadas. “Somos acionados pelas escolas para fazer vários tipos de palestras, de acordo com a faixa etária dos alunos. Uma das palestras que temos é o ‘Semáforo do Toque’. Ela é ministrada para crianças de até 8 anos de idade. Fazemos uma analogia com o sinal de trânsito. Onde a criança pode ser tocada fica o sinal verde, o sinal amarelo são áreas que precisam de atenção quando alguém coloca a mão, e o sinal vermelho é que não pode, que deve ser denunciado, que a criança deve comunicar alguém próximo” explica a delegada.
Uma orientação simples mas determinante para que a criança compreenda se vem ou não sofrendo abusos por parte de alguém, já que em muitos casos os meninos e meninas não tem ainda repertório ou conhecimento para identificar esse tipo de violência, que pode inclusive chegar até elas disfarçado como uma atitude carinhosa por parte dos adultos.
“Dependendo da situação, eles não conseguem entender que aquele ato ou conduta é um abuso sexual. Então, infelizmente, em todas as palestras que eu ministrei e não foram poucas, sempre no final da palestra, aparecia uma vítima querendo conversar comigo.” apontou a delegada que em um ano fez cerca de 20 palestras educacionais em escolas.
Educação e acolhimento no combate aos abusos
Após o abuso ser comunicado pela criança a equipe realiza um protocolo de encaminhamento da denúncia, sempre no sentido de proteger e acolher a vítima. “Quando a gente ministra essas palestras e acontece uma situação dessa, nós acionamos a diretora da escola, que faz o encaminhamento dessa criança ou desse adolescente para a DEPCA.
O acolhimento é feito dentro da escola em primeiro momento. Já aconteceu também, de uma criança assistir a palestra e não falar nada comigo, nem com a diretora. Mas quando chegou em casa, ela contou para a mãe que veio até a delegacia e fez o boletim de ocorrência. A mãe deixa bem claro que a filha percebeu os fatos que ocorreram com ela se tratavam de abuso sexual após a palestra.” Pontuou a Delegada.
Histórias
Recentemente, dois casos de estupro foram revelados após as vítimas assistirem a esse tipo de palestra.
Em Raul Soares, no Vale do Rio Doce, um homem de 50 anos foi preso na última segunda-feira (07/04), suspeito de estuprar quatro sobrinhas-netas, com idades entre 13 e 16 anos.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) iniciou a investigação após receber informações de uma escola, onde duas das vítimas, ao assistirem a uma palestra sobre abuso sexual, teriam procurado a direção da instituição para relatar que haviam sido abusadas pelo tio-avô. O homem, valendo-se da proximidade com as meninas, teria tocado em suas partes íntimas.
Já em Montes Claros, no Norte de Minas, um homem de 55 anos, pai adotivo da vítima, foi preso em flagrante em março, suspeito de abusar sexualmente de uma menina de 12 anos.
A vítima relatou os estupros sofridos após assistir a uma palestra sobre violência contra a mulher na escola.
Agendamento
O alto índice de denúncias que acontecem após as palestras do DEPCA demostra como a educação sexual é uma arma importante para a proteção de crianças e adolescentes que se encontram em situação de abuso e exploração sexual. Só no ano de 2024, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, foram registrados 344 casos de estupro de vulnerável em Belo Horizonte.
Para entrar em contato e agendar uma palestra educativa na DEPCA o telefone é (31) 3228-9000. Ou acesse o site da instituição clicando aqui.
Fonte: Itatiaia


