“Tem se consolidado uma rotina”, afirma secretário de Direitos Humanos sobre 5° voo com deportados


Após os 76 dos 116 deportados desembarcarem no Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (28), o secretário nacional dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, explicou como foi o processo de acolhimento dos brasileiros. “Tem se consolidado uma rotina, uma frequência quinzenal de voos e, cada vez mais, a gente […]. Temos consolidado um protocolo de acolhimento e atendimento dessas pessoas”, explica.

Ainda segundo Teixeira, o Itamaraty entrou em acordo com o governo americano para que mulheres, adolescentes, crianças e gestantes não venham algemadas nesses voos.

Grupos familiares

Neste quinto voo de deportação, chegou ao Brasil uma família com dez pessoas e, segundo o secretário, há um esforço para garantir as unidades familiares nos processos de acolhimento. “A gente tem buscado dar o apoio e garantir que eles permaneçam juntos nesse processo de acolhida. Todo atendimento na área social, psicossocial e a equipe do SUS está acompanhando esses processos dos núcleos familiares”, esclarece.

Para onde estão indo os brasileiros deportados?

Em geral, assim que desembarcam no Brasil, os brasileiros têm acesso a serviços de câmbio, saque, contato com a família e para compra de passagem aérea. Além disso, governo também está disponibilizando um ônibus para levá-los até a rodoviária para poderem retornar ao interior de Minas Gerais.

Para aqueles que não possuem nenhum local para ir, o governo também está disponibilizando um acolhimento provisório que garante alimentação, acomodação e acesso a passagens para poderem retornar em segurança para casa. Outro serviço disponibilizado, neste caso, ainda em Fortaleza, no Ceará – que é o primeiro destino onde desembarcam no Brasil – é a regularização das vacinas e análise de comorbidades.

Voltar para qual casa?

À Itatiaia, Mariana Dutra, assessora comunitária da ONG Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition (MIRA) comenta que as pessoas retornadas de forma forçada ao Brasil estão sujeitas a vários traumas. “É preciso entender porque que aquelas pessoas vieram. O Brasil é um país enorme, diverso, com muitas desigualdades. Muitas dessas pessoas não tem para onde voltar. Alguns vendem tudo que tinham para conseguir chegar, para fazer essa travessia. Alguns já estavam aqui com famílias estabelecidas”, explica.

Além das perdas financeiras, alguns dos deportados também enfrentam a separação familiar. “Se eu não me engano, ainda do primeiro governo, existem 17 crianças que até hoje nunca foram reunificados com seus pais que foram deportados, a maioria para América Latina também. Então, são muitos traumas, né? Tirar essa pessoa do habitat dela, da casa dela, onde ela vive, onde ela trabalha, onde ela constrói a sua comunidade e mandá-la de volta para um lugar que ela não pertence mais”, aponta.





Fonte: Itatiaia